Blog Paulo Castelo Branco

NOMES, ALCUNHAS E APELIDOS

 

Há alguns anos, crianças e jovens eram chamados por seus parentes com diminutivos. Primeiro, meu amorzinho, após o batismo, surgiam os apelidos: Bibi, Pê, Zé, PX, Chico, Lili, Gabi, Quinha, Toni, Beto e outros milhares de apelidos.

 

No período escolar, os colegas, de acordo com o tipo físico, recebiam apelidos que hoje são consideradas politicamente incorretas, mas, à época, não passavam de brincadeiras que, de modo geral, não deixavam sequelas. Peito de pombo, indicativo de criança com deformação que desaparecia com a prática da natação; baleia, fora do peso ideal; sarará, cabelo encaracolado e de cor indefinida; pintor de rodapé, de baixa estatura; burro, desatento, e por aí seguiam até chegar ao curso superior quando, pelas opções de cursos, os apelidos se tornavam mais raros, apesar de, pelas costas, alunos e professores eram conhecidos pelas qualidades que não tinham.

Na fase adulta, os que seguiram a vida política aproveitaram as alcunhas que escondiam seus nomes verdadeiros para se lançar candidatos a cargos eletivos.

Agora, nas campanhas eleitorais é que se nota a criatividade dos postulantes ao se apresentarem aos eleitores; nesta hora há de tudo: Ximbica, Costas Largas, Da Navalha, Nas Bocas, e outros nomes que acabam prejudicando o candidato quando ele começa a compreender que a política marca os seus personagens e, se a carreira se tornar importante, fica difícil se livrar do apelido. Imagine-se um presidente da República, numa reunião internacional, e ser anunciado como "Lulu Vaselina"; os presentes logo perceberão que a fala do sujeito não goza de credibilidade.

 

Nesses tempos de "Lava Jato", com milhares de planilhas aprendidas pela Polícia Federal e o Ministério Público, alcunhas variadas dissimulam os verdadeiros destinatários das propinas.

 

A lista mais recente, e há muito esperada pelo cidadão comum, é um primor de falta de imaginação dos assessores e intermediários da entrega da grana previamente fixada.

 

Os codinomes escolhidos não conseguem despistar nada; ao contrário, chegam aos beneficiários como se eles tivessem entregue as suas carteiras de identidade e posado para fotos nas portarias dos prédios.

 

Dizem que algumas provas mostram relatos de encontros secretos entre corruptos e corruptores. Um deles, cheio de interrogações e exclamações, é mais ou menos assim:

 

27.3. 1º tempo do início do jogo!!! atenção!!!! - place? - pilotis ON 2º piso& - chave @pombalpraça - acesso $$ - camisa 10 aguarda 13hs!!!. Resposta: Cod 01 OK! O e.mail foi decifrado em 30 segundos pelo filho de um analista que aguardava o pai para levá-lo à escola.

 

13.12. 43' 2º T!!!! - Hot???? - dog bus/// seguir p/ pasto???? Cuidado, não empurrar a porteira com força!!! Curral 7 -  D'Uomo missa corpo presente 23 hs. O perito já preocupado com o menino, pediu ajuda a um auxiliar e deu a dica: - Isto tem relação com as coisas do bambino, é só checar, e saiu.

 

Com essas descobertas, é possível que os pais passem a manter os nomes de seus filhos para sempre, assim não correrão o risco de saberem por último as alcunhas usadas por eles para esconder falcatruas; as pessoas serão conhecidas por seus nomes e sobrenomes, assumirão os seus malfeitos e facilitarão o trabalho dos investigadores.

 

Brasília 01 de novembro de 2016.

 

Paulo Castelo Branco

Publicado no Diário do Poder em 3.11.2016 - www.diariodopoder.com.br  Autorizada a publicação com indicação da fonte  www.blogpaulocastelobranco.com.br

BRIGA DE GALOS

O agressivo discurso do deputado Laerte Bessa (PR.DF)no plenário da Câmara dos Deputados, contra o governador Rodrigo Rollemberg,  abriu a temporada da disputa majoritária nas eleições de 2018.

Laerte Bessa, policial civil com mais de 30 anos de serviços,  galgou todos os postos da instituição e sempre lutou pela unidade e valorização dos servidores de parte da segurança pública que lhes cabe.

A Polícia Civil do Distrito Federal, bem como a Polícia Militar - representada na Câmara pelo deputado federal Alberto Fraga - sempre gozou de prestígio e reconhecimento da população candanga,  além do Corpo de Bombeiros que completa a reputação das corporações que garantem a segurança do governo federal e distrital.

O governador Rodrigo Rollemberg, que encontrou os cofres públicos devastados pela incompetência e desmandos do governo passado, tenta consertar o descalabro, mas não possui discernimento e liderança para desatar o imbróglio em que se meteu ao renunciar ao mandato de senador para ganhar uma eleição que, na verdade, não deveria ter sido sua; ganhou por não haver candidato com tempo para apresentar os seus programas; Jofran Frejat, excelente homem público, que sempre se dedicou à causa pública, chegou à disputa aos 45 minutos do segundo tempo. Deu no que deu.

Nesses tempos de penúria, qual governador tem a coragem de pagar promessas feitas em campanha se os recursos sumiram e a fiscalização sobre os gastos públicos, a cada dia, se torna difícil de contornar.

Já se fala em impeachment de Rodrigo ou a sua renúncia. A primeira hipótese se torna inviável pelo nível da política local que se transformou em festa de gafieira. Quem está dentro não sai, quem está fora não entra! A segunda, é pior ainda, pois Rodrigo, ao renunciar ao Senado Federal, deixou em seu lugar um sucessor que não queria nem como companheiro de chapa. Agora, se decidir entregar os pontos, nos deixará nas mãos do vice-governador, Renato Santana, com quem Rodrigo não troca palavras; além do mais, a população pergunta: - Se o governador não governa, o que fará seu sucessor que quase ninguém sabe quem é?

Este relato é para chegar à guerra montada no front local. Observando o desempenho dos nossos representantes na Câmara Federal,  constata-se  que só um pequeno grupo de parlamentares participam efetivamente das discussões locais e nacionais; não é do meu feitio nominar políticos, mas a responsabilidade que tenho como cidadão brasiliense, obriga-me a indicá-los: Alberto Fraga, Izalci, Laerte Bessa e Rogério Rosso, estes parlamentares, certos ou errados, se destacaram e merecem o reconhecimento popular.

Pois bem, o clima de combate verbal que reverbera nas redes sociais, após o discurso de Bessa, pode piorar a situação do governo. Rodrigo, filho de família respeitada e admirada na cidade, é homem desarmado, de paz e princípios rigorosos herdados de seu pai Armando Rollemberg, jurista e humanista de grande valor. O governador deverá controlar os seus mais primitivos instintos e buscar harmonia nas relações públicas.

Laerte Bessa, profissional da legalidade e do confronto contra a criminalidade e a violência, é especialista em investigações complexas, pode portar armas letais; mas, político, usou a palavra como metralhadora .50 para atingir o seu adversário.

É chegada a hora de surgir um mediador competente para tirar Rodrigo do sufoco e Bessa da mira implacável das palavras que não matam, mas esfolam.

Brasília 20 de outubro de 2016.

Paulo Castelo Branco.

Publicado no "Diário do Poder" em 20.10.2016 - www.diariodopoder.com.br  - Autorizada a publicação com indicação da fonte - www.blogpaulocastelobranco.com.br  - face/Paulo Castelo Branco - Twitter @paulocastelobranco.

GUERRA E PAZ

Assistindo televisão ao lado de um dos meus muitos netos, foi anunciado o prêmio Nobel da Paz ao presidente Juan Manuel Santos, da Colômbia. Meu neto, aluno do ensino fundamental, fez um comentário que vale repetir: - Vô, por que razão o Prêmio Nobel da Paz é oferecido a algum personagem que já guerreou contra outro povo?

Lembrei-me, imediatamente, de uma conversa que tive com minha mãe, quando cursava o segundo grau. À época, ainda vivíamos tempos de ressentimentos das atrocidades praticadas na  2ª Guerra Mundial e que, até hoje,  resiste nos depoimentos de pessoas atingidas pessoalmente pelos horrores do absurdo.

Perguntei à minha mãe a razão pela qual ela havia concebido três filhos entre 1939 e 1945, em plena guerra. Ela respondeu: Eu tinha esperança no futuro! Esta frase, que já repeti em inúmeros momentos, ficou gravada em minha memória para sempre e a uso como exemplo de como é possível acreditar na paz, mesmo em tempos sombrios.

Meu neto tem razão! É difícil compreender a concessão do prêmio mais importante a personalidades que tentam a paz, mesmo fazendo a guerra.

Tolstói,  em sua célebre obra em que narrou a história da Rússia sobretudo as ações de Napoleão nas guerras que comandou na região, desenvolveu a teoria fatalista da História em que o livre-arbítrio não basta para conter os ânimos belicistas que se fundamentam no determinismo histórico que supera, em algum momento, a busca da paz inerente a maior parte da humanidade.

"Guerra e Paz" é um livro que recomendo aos jovens, mesmo sabendo que muitos deles não conseguem chegar ao fim por falta de interesse ou por não estar envolvidos em outros aspectos da modernidade.

O prêmio Nobel da Paz já foi conferido a muitos combatentes e cruéis dominadores que, em disputas econômicas ou territoriais, cansados de guerrear, interrompem o embate e, com a interferência de autoridades de outras nações e da ONU, propõem cessar -fogo e entabulam negociações com seus adversários. As tratativas, quando bem  sucedidas, os credenciam a receber o prêmio por terem parado de se matar e destruir as suas cidades.

O caso mais polêmico foi o agraciamento do presidente Barack Obama, quando recebeu o prêmio pela sua determinação de eliminar agressores de sua pátria e defender países nos quais a liberdade e a independência são negadas ao povo a custa da força e das ditaduras. Parece um contrassenso um comandante em chefe da mais poderosa força militar ser agraciado; no entanto, Obama, ao longo do seu governo, efetivamente buscou a paz e a união entre as nações.

Em seu discurso, por ocasião da entrega do prêmio Nobel,  Obama reafirmou a sua responsabilidade nas guerras contra o terrorismo, reconhecendo que o uso da força, em algumas ocasiões, é  necessária, tendo em vista as ações de fundamentalistas religiosos, ditadores, além de   mercenários  que agem contra qualquer adversário desde que recebam o preço do derramamento de sangue de inocentes. Por fim, o presidente disse: "Quando a força é necessária, temos o direito moral e estratégico em nos regermos por certas regras de conduta, mesmo quando enfrentamos um adversário sem regras".

Nos funerais do líder israelense Shimon Peres, um gesto de busca de paz do presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Zeidan Abbas, marcou  o reconhecimento do trabalho de Peres na incessante busca da paz.   O israelense,  durante a sua vida, procurou encontrar um caminho da paz entre israelenses e palestinos; não conseguiu, mas o gesto de Abbas abre novos rumos para o entendimento e o fim das hostilidades, basta  boa vontade entre os comandantes das forças políticas.

Brasília, 7 de outubro de 2016.

Paulo Castelo Branco

Publicado no "Diário do Poder" em 7.10.2016  - www.diariodopoder.com.br   - Autorizada a publicação com indicação da fonte.  www.blogpaulocastelobranco.com.br  - @paulocastelobranco   - face/Paulo Castelo Branco.

 

UM CONTO CHINÊS

Se Chico - o Anísio - fosse vivo  poderia repetir o bordão de "Pantaleão", um dos seus mais famosos personagens: É mentira, Terta!".

Este é o bordão que perturba o pensamento de milhões de pessoas, não só no Brasil, mas, também, no exterior, que acompanharam o longo e tumultuado processo de impedimento e cassação dos direitos políticos da ex-presidente Dilma Rousseff.

O presidente Michel Temer, constitucionalista com larga experiência no estudo das nossas muitas constituições e político com conceito de ilibada conduta no uso do dinheiro público, partiu para a China demonstrando que o país vive em democracia plena e seu presidente pode deixar o comando do governo sob a responsabilidade do jovem presidente da Câmara Federal, deputado Rodrigo Maia.

Apesar das manifestações violentas de seguidores de Lula, real líder da massa ainda sustentada pelo governo, a realidade é que a maioria do povo está calma e ordeira  desejando trabalhar para reparar os graves danos provocados pela política irresponsável praticada por 13 anos pelo Partido dos Trabalhadores.

Lá, do outro lado do mundo, o presidente Michel Temer, em momento de descanso na viagem de volta, poderá rever o filme "Um conto chinês" do cineasta argentino Sebástian Borensztein  que retrata um fato bizarro, para utilizar a palavra do ministro do STF, Gilmar Mendes, sobre o fatiamento da fase final do processo de impedimento.

O fato deu-se quando uma vaca despencou de um avião militar russo que transportava algumas cabeças de gado afanadas de fazendas. A vaca soltou-se das amarras colocando em perigo a vida dos tripulantes que decidiram jogar o animal ao mar. O inusitado é que a vaca caiu sobre um barco pesqueiro japonês e o afundou,  deixando os pescadores  a boiar sobre as águas até serem salvos por um barco patrulha russo. Durante algum tempo a história foi contada como piada até que as autoridades russas confirmaram o relato dos japoneses.

A inusitada decisão do Senado Federal em eliminar texto constitucional para garantir direitos políticos à Dilma Rousseff é um desses fatos que nos remete a muitas decisões formuladas não para serem atos juridicamente perfeitos, mas atos políticos que desconsideram a letra fria da lei para acomodar os interesses de dirigentes políticos.

O presidente Michel Temer, lá da China, decidiu não analisar a decisão do Senado Federal , afirmando que a questão é jurídica e caberá aos juristas decifrar o julgamento. Para ele, o importante é que a interinidade acabou e ele deve se dedicar à estabilidade política e à recuperação econômica. É razoável supor que os chineses estejam ansiosas para investir no Brasil, incentivando outros investidores a fazer o mesmo.

No encontro com o presidente, Xi Jinping, se instado a responder à pergunta do dirigente chinês  sobre o "impeachment":  ­-  真正的总统, após a devida tradução, (é verdade, presidente?) poderá dizer: Agora não trato mais de assuntos jurídicos, sou só o presidente constitucional do Brasil; é a última referência que farei à nossa flexível Constituição Federal nos próximos dois anos,  se não, a vaca, em vez de cair do céu e parar no mar, irá  para o brejo!

Brasília, 02 de dezembro de 2016.

Paulo Castelo Branco.

Publicado no "Diário do Poder" www.diariodopoder.com.br em 02.09.2016  - Autorizada a publicação com indicação da fonte -  www.blogpaulocastelobranco.com.br

A FALTA QUE ELA NÃO NOS FARÁ

O mestre Fernando Sabino, em crônica publicada no jornal "O Tempo",  nos idos de 2007, relatou a sua angústia quando resolveu dar um mês de férias à sua auxiliar do lar - antiga "empregada", como a ela se referiu na obra intitulada  "A falta que ela me faz".

Sabino descreve a satisfação que teve nos primeiros dias de liberdade total dentro de casa. Podia andar só de chinelos, trocava de roupas com a porta aberta e falava sozinho sem passar por maluco. Ao longo dos dias percebeu que sua vida havia se transformado numa bagunça sem fim.

A crônica de Sabino nos faz olhar com um pouco de humor a situação da quase ex-presidente. Dilma foi escolhida para ser serviçal do Partido dos Trabalhadores na Presidência da República, sob o comando de Lula que, hoje,  é decadente político que se sustenta na mídia como investigado por crimes diversos.

O brasileiro, ao aceitar Dilma, acreditou que ela seria uma gerente eficiente do país que estava no caminho certo para se consolidar como grande potência econômica e democrata. A herança recebida do governo Fernando Henrique e  a midiática administração Lula facilitava a missão.

A promessa de Dilma de limpar a casa como se fosse a "empregada" de Sabino, ao retornar das férias, fracassou de forma retumbante e acabou  como a carne assada no forno do fogão. A limpeza esbarrou no poder político de Lula e seus companheiros, e a sujeira aumentou com a descoberta dos ilícitos praticados, tanto no "mensalão", quanto  no "petrolão".

A decisão do Senado Federal que aceitou o julgamento da presidente afastada pelo plenário da casa com uma margem de votos capaz de retirá-la do poder deixou a situação insustentável. Dilma está fora!

O debate entre o senador Antonio Anastasia e o advogado Eduardo Cardozo se tornou uma cansativa demonstração de intolerância dos adeptos do Partido dos Trabalhadores e aula de moderação e conhecimento jurídico-administrativo do senador. O desempenho de Anastasia o coloca como alternativa do PSDB na disputa presidencial de 2018.

A queda de Aécio nas pesquisas eleitorais e a sua discreta participação no processo de 'impeachment" indicam  o desalento do senador com a possibilidade de disputar a eleição; por outro lado, o chanceler José Serra optou por acreditar que o raio poderá cair no mesmo local e sumiu do debate político, imaginando que poderá inventar um novo "Plano Real", seguindo o caminho de FHC. O sorriso hoje estampado em seu rosto não apaga a imagem de antipatia que sugere aos seus interlocutores.

Por fim, a posse definitiva de Michel Temer e a sua afirmação de não concorrer à reeleição abrem caminho para novos nomes na disputa que se destacaram ao longo desses meses no exame do retorno da "empregada" de Lula.

Sabino, antevendo os dias de hoje, encerrou a sua crônica dizendo:

"Até que um dia, como uma projeção do estado de sinistro abandono em que me via atirado, comecei a sentir no ar um vago mau cheiro. Intrigado, olhei as solas dos sapatos, para ver se havia pisado em alguma coisa lá na rua.

Depois saí farejando o ar aqui e ali como um perdigueiro, e acabei sendo conduzido à cozinha, onde ultimamente já não ousava entrar. No que abri a porta, o mau cheiro me atingiu como uma bofetada. Vinha do fogão, certamente.

Aproximei-me, protegendo o nariz com uma das mãos, enquanto me curvava e com a outra abria o forno. " Oh não! " recuei horrorizado.

Na panela, a carne assada, que a empregada gentilmente deixara preparada para mim antes de partir, se decompunha num asqueroso caldo putrefato, onde pequenas formas brancas se agitavam. Mudei-me no mesmo dia para um hotel."

Dilma, que nos deixa tal qual a casa do cronista, após a reunião com investigado Lula, deve renunciar para não continuar prejudicando a imagem do Brasil neste instante em que somos observados por bilhões de pessoas. Deve, sim, mudar de vez para o hotel onde se hospedam seus companheiros. Não sentiremos saudades!

Paulo Castelo Branco.

Publicado no “Diário do Poder” – 10.8.2016 – www.diariodopoder.com.br ou www.blogpaulocastelobranco.com.br face/paulocastelobranco

O PAÍS DA INSENSATEZ E O DIA 31/7

Na falta de escândalos políticos, até as prisões de investigados ou acusados na “Lava Jato” passam despercebidas nas conversas em convescotes ou encontros casuais entre os cidadãos brasileiros.

Passados os atos terroristas, em eventos de grande expressão em cidades turísticas, os olhos do planeta estão voltados para as Olimpíadas do Rio. O evento deverá ser do conhecimento  de metade da população mundial,  e, além das disputas esportivas, estarão também em evidência a fantástica cobertura da mídia,  o vultoso investimento de empresas na  publicidade de  seus produtos, e os gastos do dinheiro público e privado na construção da vila olímpica e no legado de infra-estrutura.

Segundo especialistas, o Brasil gastou 30 bilhões de reais na Copa do Mundo e outros 30 bilhões na Olimpíada 2016. Os transtornos causados em relação às acomodações dos atletas logo serão resolvidos e esquecidos. Após o encerramento da competição só se falará da Olimpíada de Tóquio 2020; o resto será passado e viveremos, durante anos,  as acusações de desvio de verbas públicas, descaso e incompetência, ressalvadas as autuações da Polícia Federal, sempre eficiente, e das Forças Armadas, sempre presentes nas horas de sufoco.

E de quem é a culpa do descalabro? É nossa, do cidadão eleitor e contribuinte. Nós é que elegemos os candidatos pelo carisma e com muito dinheiro para gastar,  esse de origem, quase sempre, duvidosa. Não há dúvida de que elegemos políticos de excelente procedimento que confrontam os fisiologistas, os corporativistas, os interesseiros, os corruptos e os incompetentes; entretanto, a luta é imensa, e o andamento de projetos de leis, como o proposto pelo Ministério Público, com 10 Medidas contra a Corrupção, avalizado por quase 3 milhões de brasileiros e que, sabe-se bem a razão, perambula pelas comissões da Câmara dos Deputados esperando ser examinado e votado.

Nossa culpa é ainda maior quando algum governante, sob o pretexto de atender a vontade do povo, determina a construção de obras públicas com valores superfaturados e sem a menor utilidade para a maioria da população.

Como exemplo, vemos a construção de estádios de futebol de dimensões colossais que se transformaram em “elefantes brancos”; o Estádio Mané Garrincha, em Brasília, é um deles, e não se viu uma manifestação popular exigindo custos menores da obra. Lá se foram 2 bilhões de reais, e, de lembrança, ficou o futebol da Alemanha.

Governantes irresponsáveis pretendendo ficar na história como construtores dos "Coliseus" da modernidade  se esquecem que os imperadores e conquistadores da antiguidade obtinham recursos, arriscando a própria vida em guerras cruéis, e assim  deixaram relíquias em escombros.

Os  grandes benfeitores são reconhecidos não por suas proezas em construções, mas  sim pelas ações  humanitárias que desenvolveram ao longo das suas vidas. Políticos, poucos estão na História da humanidade.

O caso do Distrito Federal é a demonstração inequívoca dos desatinos de governantes; vejam só: o Centro Administrativo, obra desnecessária, já que o serviço público funcionava ou poderia se expandir nos terrenos próximos ao Palácio do Buriti, meio caminho para todos os moradores. A megalomania das autoridades de então, sem oposição popular, embrenharam-se na missão e nos encalacraram por longos anos.

Agora, com o novo e velho governo assistimos, omissos, à determinação da construção de vias na saída norte da cidade. Serão quilômetros de asfalto e 26 viadutos que afetarão as quadras da Asa Norte com a ocupação de áreas verdes  para  favorecer o usuário individual de veículos. Se o governo investisse forte em transporte público, os cidadãos o usariam, sem dúvida. O discurso do administrador do dinheiro será sempre o mesmo: a verba está carimbada no orçamento. E o povo sabe lá o que é isso! O que o povo quer é transporte eficiente, saúde, segurança pública, educação verdadeira, justiça e paz.

Com as manifestações contra governos corruptos, imaginávamos que tudo iria mudar. Há mudanças, mas não podemos ficar nas mídias sociais criticando os governos e deixando que as obras superfaturadas continuem exaurindo as receitas dos brasileiros. Dia 31 próximo é tempo de manifestações contra a corrupção, a incompetência, o aparelhamento do Estado, e a conclusão do processo do afastamento definitivo de Dilma Rousseff.

Brasília, 28 de julho de 2016.

Paulo Castelo Branco

Publicado no "Diário do Poder - Cláudio Humberto"  - www.diariodopoder.com.br   - Autorizada a publicação com indicação da fonte  www.blogpaulocastelobranco.com.br

 

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