Blog Paulo Castelo Branco

O DISCURSO DE DEFESA

No pequeno expediente de ontem, dia 20, no horário em que poucos ouvintes estão ligados na rádio Senado, o Senador Romero Jucá subiu à tribuna e desferiu duro discurso contra a imprensa e, diretamente a alguns jornalistas que o criticam por sua atuação parlamentar.

Jucá elaborou fundamentados argumentos para demonstrar que está sendo crucificado pelos meios de comunicação, inclusive as redes sociais. Dirigindo-se especialmente à conceituada jornalista Eliane Catanhêde, o senador aproveitou o título de um artigo de Eliane para expor a origem da palavra jucá que, segundo ele, é uma madeira dura que não se enverga, não se quebra, e, se a articulista acha que o governo é um “Governo de Jucás”, deve ser considerado como um governo forte, duro, resistente e pronto para recolocar o país no rumo certo.

Além de Eliane, o parlamentar, nominou Ricardo Noblat e Gérson Camarotti como os seus principais e inclementes algozes.

A segunda-feira, habitualmente, é reservada para que os parlamentares façam homenagens aos eleitores para enviar-lhes folhetos impressos pelo Senado com as palavras cordiais e enaltecedoras de prefeitos e possíveis aliados em próximas eleições. Muitas das vezes estes elogios são feitos em campanha por antigos amigos que se transformam em desafetos, demonstrando o caráter mesquinho de ambos.

Pois Jucá, com calma, relacionou o seu tormentoso momento para associar as acusações e críticas que sofre com algumas situações que, historicamente, se tornaram injustas; comparou-se com Dreyfus, com os perseguidos pelos nazistas, e por outros tantos marcados a fogo pela Inquisição.

O senador afirmou que não se submeterá à vontade de jornalistas que querem a sua cabeça degolada e exposta em praça pública. A defesa pessoal quase sempre é inócua, quando examinada pela Justiça. Os discursos de réus e seus advogados no tribunal do povo, o júri, raramente influem em seu julgamento. Os quesitos que devem ser respondidos pelos membros do tribunal do júri são restritos aos fatos não deixando espaço para tergiversação; é sim ou não.

No caso de Jucá, apesar das balas perdidas que o atingem diariamente, a mídia e a população querem saber o que é e o que não é verdadeiro; é sim, ou não.

Jucá fez carreira como economista e, habilidoso politicamente, foi indicado para dirigir o último território federal, Roraima. Dali foi galgando postos na vida pública. É considerado um dos políticos mais competentes e articuladores na arte de convencer seus pares na defesa dos interesses de qualquer governo, tendo feito parte de quase todos desde a redemocratização.

O duro discurso do senador, como ele próprio afirmou da tribuna, não foi e nem será considerado discurso de um inocente, mas, sim, de palavras que só não serão levadas pelo vento porque impressas nos boletins a serem distribuídos porta a porta em seus redutos eleitorais.

A indignação de Jucá foi bem apresentada, e o discurso poderá, no futuro, ser considerado peça de oratória, mas não atingirá o objetivo de ser eficaz em sua imolação como perseguido; o fato é que Émile Zola, autor do artigo intitulado “J’accuse”, e incansável defensor de Dreyfus, não está vivo e não há, entre nós, nenhum seguidor que possa fazer defesa veemente de Jucá, pelas razões óbvias; aliás, o próprio senador quebrou o ritmo da fala, quando, comparando a sua situação com a de Dreyfus, recomendou que os articulistas não confundissem o famoso artigo “J’accuse” com a banheira “Jacuzzi”, igualmente famosa por sua utilização em “surubas” como, fora da curva, o senador se referiu ao foro privilegiado.

Brasília, 21 de fevereiro de 2017.

Paulo Castelo Branco.

Publicado no “Diário do Poder” – 22.02.2017 – www.diariodopoder.com.br - Autorizada a publicação com indicação da fonte.

 

QUESTÃO SEMÂNTICA TOMA CONTA DA CRISE NOS PRESÍDIOS

 

À falta de assunto político que chame a atenção dos leitores;  a  mídia e as redes sociais - estas  mais atuante do que a outra - ,  direcionam  suas baterias contra o presidente Michel Temer que, com responsabilidade e dificuldade em conduzir o destino do país, deve, sempre que ocorra algum fato importante, se pronunciar sobre a questão.

É o caso agora  que toma lugar de qualquer outro acontecimento acidental, provocado, doloso, ocasional, ilícito, eventual e de tantos outros que se possa indicar para chacina, tragédia, acidente pavoroso, irresponsabilidade de governantes, quadrilhas rivais, proteção de presos, controle de penitenciárias, e aos discursos polidos ou cuidadosos de autoridades.

A palavra chacina foi adotada como a melhor de todas as palavras para designar a matança contra pessoas indefesas que são torturadas e mortas por ato criminoso, planejado e executado por criminosos ou por grupos de agentes públicos que passam em concursos dificílimos para se infiltrar nas corporações e agir em nome de quadrilhas.

As chacinas, hoje expostas ao público, têm a mesma origem dos massacres cometidos contra inocentes nas guerras que envolvem interesses econômicos, religiosos  e prestígio pessoal. Não são diferentes dos ataques que não respeitam as leis internacionais que regulam os embates militares e seguem matando indiscriminadamente milhares de inocentes todos os dias.

Nas penitenciárias é raro o dia em que não há torturas entre presos, o mesmo se pode dizer  de igual prática por parte dos responsáveis pela administração.  A fala do governador do Amazonas,  na qual ele afirma que nas penitenciárias sob a sua responsabilidade "não havia inocentes",  se equipara às falas grosseiras dos criminosos sanguinários que julgam e condenam a penas variadas, inclusive de morte, seus asseclas ou os inimigos das facções que proliferam pelo país.

Esses julgamentos são realizados por ordem de condenados e presos em prisões de "segurança máxima" que, em troca de proteção às famílias de seus carcereiros, vivem em celas especiais  e reformadas para que tenham conforto,  minimizando a possibilidade de serem assaltados e mortos em esquinas das nossas cidades.

Os chefes do crime organizado recebem comida de restaurantes refinados, são isolados dos presos rivais, usam os mais variados meios de comunicação em tempo real, determinam ações e se dedicam à leitura para reduzirem suas penas. Ficam presos a custo de milhares de reais que saem dos bolsos dos assaltados ou desempregados, que lhes garantem  saúde, cultura e vida longa.

E como devemos nos referir a esses fatos incontestáveis da vida nacional? Ainda não se chegou a nenhuma conclusão, nem  entre especialistas, nem entre os parlamentares que deveriam olhar para o interesse público, e não  para os corporativos. As bancadas políticas são organizadas -  excluindo-se alguns parlamentares  - para aprovarem questões sobre suas corporações, o que lhes garantem  a reeleição, ou  para  votarem a favor das  questões fundamentais ao desenvolvimento econômico e social do pais, e,  quando sob os holofotes da mídia, seguem  as orientações das lideranças  e bradam suas falas e votos como se os parlamentares estivessem dedicados a causa maior.

As mortes que estão ocorrendo nos presídios são fruto das prisões desnecessárias e de  políticas de segurança pública ineficazes que jogam policiais nos núcleos de violência e criminalidade a que ficam expostas suas famílias  enquanto eles saem às ruas para combater criminosos fortemente armados e organizados que só não matam mais para não atingirem comunidades onde vivem seus companheiros e familiares.

A fala do presidente não  deve servir  como munição nessa guerra real. O que se constata  no momento é uma   guerra de palavras que são levadas pelo vento como as dos discursos falaciosos das campanhas políticas que eram abastecidas por bandidos de "colarinho branco" e, agora, por traficantes do pó, igualmente branco. Discutamos os fatos.

Brasília, 9 de janeiro de 2017.

Paulo Castelo Branco. Publicado no “Diário do Poder” em 9.1.2017. www.diariodopoder.com.br e www.congressoemfoco.com.br

TRUMPNAGEM

Hoje acordei antes do sol nascer e, ainda de pijama, fui para o Salão Oval.  sonhei ou tive um pesadelo sobre a necessidade de tomar algumas decisões que só o papel timbrado e a caneta do maior poder terrestre me garantem realizar. As mãos estavam  trêmulas e frias, mas a minha obstinação em consertar o mundo e fazer algo inusitado, original, absurdo, inacreditável se fixara em minha mente prodigiosa ou débil; sei lá!

Meu pai, de quem herdei o tino empresarial, com carinho, dizia que eu era um menino traquina e, se quisesse vencer na vida, deveria controlar meus instintos e planejar minuciosamente os meus passos. Eu era tão levado da breca que, certa vez, minha mãe, preocupada com as minhas travessuras e comportamento agressivo, levou-me a um psiquiatra. O médico conversou longamente a sós comigo e prescreveu alguns exames, marcando nova consulta.

Com o resultado dos exames em mãos, voltei ao consultório e, desta vez, minha mãe ficou ao meu lado. O psiquiatra, após a análise dos resultados, com a mão no queixo e ar de sábio, deu o seu diagnóstico: - seu filho não é o que podemos chamar de um ser humano normal, desenvolve planos fantasiosos e reações agressivas a qualquer situação que lhe seja desfavorável. Creio que ,se não for medicado e acompanhado regularmente, poderá chegar à idade adulta com sérios distúrbios mentais.

De volta à casa, meu pai decidiu que, ao contrário de tratamentos, eu passaria a acompanhá-lo nos negócios. Assim, antes mesmo de atingir a puberdade, eu já manipulava com habilidade tratativas empresariais. Durante o curso universitário não deixei de influenciar decisões que transformaram nossas empresas expressivas no cenário nacional.

Bilionário,famoso e galanteador, cerquei-me de  mulheres. Venci e perdi batalhas, reinventei-me e vivia insatisfeito por não ter o poder de conquistar o mundo. Contra tudo e todos, superei obstáculos e cheguei até aqui nesta mesa que foi ocupada pelos mais ilustres personagens da história americana.

Hoje, começando a semana, mostrarei a todos que é possível fazer mais pela nossa nação e decidirei o que é melhor para mim e a América. Não sou louco, sou um visionário que transformará a humanidade, mesmo que se for necessário  diminuir o número de seres humanos.

Agora vou fazer o rascunho das medidas que anunciarei à nação e ao mundo antes que nossos cidadãos saiam para o trabalho:

1 - Anular a decisão sobre o muro na fronteira com o México e, a exemplo dos russos, promoverei plebiscito entre os mexicanos para anexar um terço daquele país ao nosso território; desta forma, deixarão de ser imigrantes para serem americanos. Tal medida será estendida aos cubanos que, também, poderão optar pela anexação, pois adoram o nosso modo de vida.

2 - Em virtude das ameaças da Coréia do Norte, apoiaremos a reunificação dos países e eliminaremos o s riscos de conflitos que possam nos atingir. O apoio será imediato e forte com ocupação do território daquele outro louco, em questão de dias. Os que morrerem serão considerados heróis, e, daqui há alguns anos, pediremos desculpas pelos excessos.

3 - Antes da chegada de março, em conjunto com a Rússia, aniquilaremos os poucos militantes terroristas. Será à força. Nenhum deles será levado a julgamento por crimes contra a humanidade.

4 - Determinarei que os acordos firmados sob a supervisão da ONU sejam revogados, e, a partir de agora, só faremos acordos bilaterais com nações muito amigas.

Depois d

esses atos, deixarei outras questões para depois do Carnaval, pois preciso costurar os adereços da  minha fantasia  de super-homem que usarei no desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro; isto é, se não tiver o meu visto de entrada recusado na alfândega, afinal, esses brasileiros são muito loucos!

Brasília, 29 de janeiro de 2017.

Paulo Castelo Branco.

Publicado no “Diário do Poder e “Congresso em Foco”

DEIXEM O RETRATO DO TEMER NO MESMO LUGAR.

 

Na campanha presidencial de Getúlio Vargas em 1950, Haroldo Lobo compôs um jingle que incentivava o eleitor a recolocar o retrato do candidato outra vez no mesmo lugar. O refrão dizia: “O sorriso do velhinho faz a gente trabalhar”.

Getúlio governou o país com mão de ferro, implantando uma ditadura por mais de 15 anos. Deposto, sem direitos políticos cassados, foi eleito senador por dois estados, antes de se candidatar novamente à presidência e vencer as eleições de 1950. O político era querido por grande parte da população que o considerava “pai dos pobres”. Acabou dando um tiro no peito, e entrou para história como um dos mais importantes presidentes do Brasil.

Naqueles tempos, com a 2º Guerra Mundial destruindo povos e países, viraram moda os golpes militares e a instalação de ditaduras.

Nesses tempos nebulosos em que vivemos, a situação está difícil de ser resolvida em virtude da descoberta de que centenas de políticos foram pegos com as mãos na botija se apoderando do dinheiro público para levar vida de nababos, na maior cara- de- pau.

É também certo que muitos dos investigados ou acusados não são, necessariamente, participantes de falcatruas. Porém, o que se vê é que a maioria deles não consegue justificar os sinais exteriores de riqueza com os rendimentos que recebem do erário.

É certo que a relação promíscua entre empresários e governantes vem de longa data e, até então, encobertas por doações previstas em lei quando o ex-ministro da Justiça Marcio Thomas Bastos, como um dos nossos maiores criminalistas, iluminou a salvação dos seus clientes com a denominação de “caixa 2” para justificar doações ilícitas. A maioria dos participantes do “Mensalão do PT” foi condenada e, os que não sofreram punições, reagruparam seus parceiros e criaram as contabilidades secretas junto com outras formas de repartir o dinheiro afanado do povo.

Deu no que deu; a Justiça, o Ministério Público, a Receita Federal e as polícias Federal e Civil especializaram seus profissionais na investigação da corrupção disseminada em todos os escalões de governos e voltaram a processar os malfeitores que hoje se contam em centenas.

Não se deve esquecer que são costumeiras acusações contra inocentes que, por estarem no meio contaminado acabam sendo levados à prisão e a julgamento por crimes que não cometeram. Esperam que a Justiça prevaleça, mas já estarão condenados politicamente.

Sabe-se que políticos, seguindo as regras legais, receberam recursos provenientes de empresas conceituadas. Esses homens públicos estão sendo massacrados pela mídia sem a possibilidade de defesa imediata, pois desconhecem as acusações do Ministério Público e as delações dos corruptores que vazam diariamente com nomes dos que receberam dinheiro legal.

No meio deste imbróglio, muitos desejam eleições indiretas, diretas, golpes de esquerda ou direita, renúncia coletiva e milagres que não irão acontecer. O que devemos, nesta hora, é preservar a democracia, a paz social, a paciência, a tolerância, o controle da economia e deixar o presidente cumprir a sua missão constitucional, e não tirar o seu retrato do lugar, mesmo com semblante sério que é o ideal para quem está preocupado com o rumo do país.

Brasília, 13 de dezembro de 2016.

Paulo Castelo Branco.

 

Publicado no Diário do Poder em 14.12.2016

BOLA FORA

Enquanto milhões de brasileiros choram as mortes dos jogadores, jornalistas e dirigentes da Chapecoense, milhares de torcedores do time do quanto pior melhor, voltaram às ruas para, como se fossem membros das violentas torcidas organizadas que destroem, espancam e matam nos estádios de futebol, tumultuar o processo legislativo.

O Chapecoense, nascido no oeste catarinense, uniu a população da simpática Chapecó em torno da campanha vitoriosa do time que quase chegou ao título de campeão da América do Sul, foi atingido em plena ascensão e deverá receber o título por deferência do seu adversário, em respeito aos que não puderam concluir a disputa.

Por aqui, a solidariedade e a democracia voltam a sofrer com a violência daqueles que, lideradas por marginais, retomam o vandalismo e o usam como armas para ameaçar os poderes constituídos em busca do espaço que perderam por força da Constituição e das leis.

A derrocada do governo que afundou o país na pior crise econômica e social fez renascer os baderneiros que haviam se escondido sob a proteção de grupos criminosos, pois muitos dos seus comandantes políticos estão encarcerados pela ação implacável da Justiça, do Ministério Público e da Polícia Federal.

Esses baderneiros, que eram financiados por programas sociais e atos de corrupção, devem estar recebendo parte de recursos acumulados ilegalmente e administrados por facções que se espalham nos presídios, agora com a colaboração de profissionais especialistas na aplicação de dinheiro e ocultação de patrimônio.

O Poder Executivo, ainda maculado pela presença inevitável de políticos investigados, tenta conduzir o destino do país rumo à democracia plena, ao controle dos gastos públicos e a volta da ética na política.

O esforço do presidente Michel Temer em tranquilizar a população e seguir pilotando o trem que nos conduz pelos trilhos tortuosos dos caminhos do exercício do poder é incontestável.  A nossa sorte é que, se a máquina que puxa o nosso comboio não tiver combustível para continuar o trajeto desejado, o máximo que poderá acontecer será a paralisação do país em um desvio qualquer, que não a queda livre no espaço infinito.

Vivemos momento crucial da nossa história e precisamos de muita paz e cuidado no trato das questões fundamentais. A força do Congresso Nacional, mesmo com tantas acusações contra vários dos seus líderes, é incontestável. Mesmo os parlamentares que estão na berlinda, tentando minimizar os seus malfeitos, se posicionam a favor das medidas propostas pelo governo, embora, na calada da noite, aprovem o controle das ações das autoridades judiciárias.

A forte reação da ministra Cármen Lúcia contra a possibilidade de ser criminalizado o agir da magistratura é sinal  que o judiciário irá buscar no povo a sua sustentação; alias, em seu discurso de posse na presidência do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia se mostrou submissa ao povo brasileiro, de onde emana todo o poder. Agora, reforçando a sua posição, disse: " Há de se perguntar a quem interessa. Não ao povo, certamente. Não aos democratas, por óbvio. Juiz sem independência não é juiz. É carimbador de despachos, segundo interesses particulares, e não garante direitos fundamentais segundo a legislação vigente". Os democratas devem voltar às ruas com sua força renovada e entrar em campo como o Chapecoense que, certamente, se recuperará para dar novas alegrias aos seus torcedores e disputar, com lealdade, a busca da vitória! Cármen Lúcia não está só!

Brasília, 30 de novembro de 2016.

Paulo Castelo Branco - Publicado no CONGRESSO EM FOCO em 01.12.2016 - www.congressoemfoco.com.br  - Autorizada a publicação com indicação da fonte.

EM NOME DO PAI

As eleições municipais demonstram que o eleitor está desanimado com os políticos. Vários prefeitos eleitos tiveram menos votos do que os nulos e em branco, e a abstenção superou os índices das eleições anteriores.

A discussão sobre o financiamento público de campanha e o fundo partidário vai além da política e pode encobrir a participação do crime organizado na escolha de candidatos ficha-limpa; porém, servidores das quadrilhas que transformaram o país num campo de guerra.

Os caminhos abertos pela "Operação Lava-Jato" desvendaram o saque aos cofres públicos e a atuação de políticos corruptos mancomunados com empreiteiros corruptores que formaram a maior quadrilha já desbaratada em terras d' além-mar, desde a chegada de Cabral - o de 1.500!

Centenas de prefeitos, vereadores, deputados, senadores já trocaram o terno bem talhado pelo uniforme laranja que identifica os submetidos à prisão. A delação dos executivos da Odebrecht implodirá o caixa-eletrônico do poder, espalhando milhões de reais e moedas estrangeiras marcadas em cores exuberantes para que se saiba que foram desviadas do erário.

Sobre essas questões, o eleitor sabe de tudo e escolheu candidatos que poderão melhorar as suas vidas. A eleição de políticos idosos e experientes, como Humberto Souto, Iris Rezende, e alguns mais, reflete que a população idosa se manifesta, elegendo candidatos conhecedores dos problemas dessa parcela que sofre sem atendimento digno na saúde e na segurança pública. Os prefeitos mais velhos conhecem as necessidades dos aposentados ou dos beneficiários de miseráveis rendimentos.

De fato, o único privilégio que o idoso possui é a prioridade no atendimento em órgãos públicos e, se tiver veículo, tentar estacionar numa vaga, muitas das vezes ocupada por motoristas arrogantes e agressivos.

A maioria dos denominados "os da melhor idade", sabe que a vida, como uma vela, está se apagando, mas necessitam trabalhar para colaborar na renda familiar ou manter netos e bisnetos que não sabem se poderão contribuir para a previdência pela falta de emprego formal.

Em encontro informal, ouvi de um participante de grandes momentos da política nacional que Miguel Arraes, no seu retorno ao governo de Pernambuco, perguntado quem apoiaria na disputa da presidência da República, respondeu: Com Brizola tenho diferenças históricas, é difícil apoiá-lo. Lula, não é um líder político é, na verdade, um pelego defensor dos "carteiras assinadas", e encerrou a conversa com uma baforada de charuto dizendo: está difícil!

O velho cacique sabia das coisas e, naqueles tempos, já avaliava o desastre que nos seria imposto pelos companheiros. Felizmente, parece que o povo está procurando novos rumos.

Estas eleições, como tantas outras que realizamos desde a redemocratização do país, foram difíceis; e as próximas, mais difíceis serão. O esvaziamento do Congresso Nacional devido o afastamento de políticos envolvidos com as empreiteiras seguirá em ritmo acelerado, devastando carreiras e jogando na cadeia inúmeros investigados, denunciados, ou réus que hoje gozam do abrangente foro privilegiado.

Neste momento complexo da vida nacional surgiram os representantes de fiéis que, em nome de Deus, ocuparão cargos importantes nos governos. O estado laico, que não é respeitado, a cada dia terá legislação baseada em fundamentos religiosos, dividindo ainda mais as relações entre fiéis das nossas várias religiões e seitas que, hoje, tentam harmonizar a convivência entre os cidadãos. Que, em nome do Pai, possamos superar os obstáculos dos nossos indecifráveis caminhos.

Brasília 31 de outubro de 2016.

Paulo Castelo Branco.

Publicado no "Congresso em Foco"-  www.congressoemfoco.com.br ou www.blogpaulocastelobranco.adv.br - Autorizada a publicação com indicação da fonte.

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